Marcelo Dutra da Silva

O ESG não depende do jogo político e isso vêm incomodando muita gente

Marcelo Dutra da Silva
Ecólogo
dutradasilva@terra.com.br

Poucas coisas no mundo conseguem resistir ao interesse político. Afinal, a política está em absolutamente tudo. No entanto, o debate sobre as melhores práticas corporativas de sustentabilidade parece ser pouco aderente às inúmeras tentativas de manipulação, disparadas por diferentes grupos políticos. As decisões de responsabilidade socioambiental tomadas por uma empresa ou corporação fogem completamente do domínio político e daqueles que operam na política.

A despeito das decisões de um governo, que podem ter forte influência no ambiente econômico, o jogo do interesse político pessoal, partidário e ideológico não tem espaço na dinâmica do mercado. O ESG, do inglês Environmental, Social, and corporate Governance, é mercado puro! Aliás, é uma estratégia de proteção do capital, que deve ser encarado como modelo de negócio. Em nada tem a ver com a política de balcão, no qual são negociados todo tipo de interesse. Talvez por isso alguns ignoram (ou tentam ignorar) a importância do ESG na transformação da sociedade e nas relações de consumo.

O ESG é uma caixa de ferramentas que servem ao ajuste das empresas e corporações à realidade de sua materialidade, frente às exigências do público consumidor e investidores, em observância à Lei, oportunidades de mercado e posição de imagem. No ESG importam as políticas públicas, a conduta das empresas e o relacionamento que estabelecem na comunidade. Não há controle político da turma do balcão e isso vêm incomodando muita gente.

Situações de conflito ambiental e questões sociais urgentes são facilmente encontradas nas cidades, independente do tamanho. Se um empreendimento estiver se instalando ou em perspectiva de ocupar uma determinada porção do espaço, o impacto sobre a natureza e qualidade de vida das pessoas vai depender muito mais do quanto de responsabilidade está envolvido no processo do que da qualidade das decisões envolvidas nas apurações do licenciamento e autorizações do Poder Público.

Em Pelotas, por exemplo, os conflitos gerados pelo uso equivocado do espaço, de construções que avançam sobre as áreas úmidas e total ausência de planejamento na expansão da cidade, ao fim e ao cabo, vão depender muito mais da vontade, consciência e conduta dos empreendedores do que, ao final, é autorizada ou licenciado pelo Poder Público. Isso porque nada fora da lei será permitido, mas sempre há uma chance de alterar a legislação para tornar algo até então impedido em algo permitido. E quem não viu isso acontecer, por aqui? Acontece com frequência, é normal, faz parte do jogo, mas é perigoso.

Todos os anos mais e mais parcelas de áreas úmidas, baixas e planas são aterradas e impermeabilizadas na forma de novos espaços construídos. Um importante motor econômico que continua crescendo sem avaliar as consequências, que são muitas e para muitos. Consequência que tendem a se agravar no futuro, com as mudanças climáticas que já são ruins e promessas de serem ainda piores.

Então, imaginar que a solução para todos os problemas esteja na política é tentar imprimir uma importância que a política não tem. Essas soluções estão em outro tipo de política, que não a comercial, voltada para a negociação de interesses. Estou falando da necessidade de aprimorarmos as políticas públicas de atenção social e de proteção do meio ambiente. Este é o interesse que realmente interessa e que pode ser compartilhado com o privado que se guia pelos princípios da ética, do impacto social positivo, uso responsável dos recursos e garantias de um futuro mais sustentável para as próximas gerações.

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